A indústria brasileira de fertilizantes fosfatados atravessa um momento crítico de pressão sobre seus custos operacionais. O insumo básico, o enxofre, sofreu uma escalada de preços sem precedentes, saltando de patamares próximos a US$ 100 para ofertas que chegam a US$ 1,2 mil por tonelada. Esse cenário, impulsionado diretamente pelas tensões geopolíticas e pelo fechamento do Estreito de Ormuz, coloca em xeque a viabilidade da produção nacional.

O Brasil, que possui uma dependência histórica de importações — especialmente no segmento de nitrogenados, onde a dependência supera os 90% —, vê agora o setor de fosfatados sufocado. O custo do enxofre, essencial para a fabricação de ácido fosfórico, tornou-se tão elevado que, em muitos casos, supera o valor de mercado do próprio fertilizante final, inviabilizando a margem das empresas locais.

Diante desse quadro, representantes do setor industrial iniciaram tratativas com o governo federal buscando alternativas de alívio financeiro. Uma das propostas em debate envolve a criação de um mecanismo de subsídio, possivelmente financiado por uma taxação específica sobre o frete marítimo, visando proteger a cadeia produtiva nacional contra a volatilidade externa.

O impacto dessa crise não se limita apenas às indústrias, mas reverbera diretamente no agronegócio, que depende desses insumos para manter a produtividade das safras. A preocupação é que, sem uma intervenção rápida, o custo final para o produtor rural dispare, afetando a competitividade dos alimentos brasileiros no mercado global.

Especialistas apontam que a dependência externa é um gargalo estrutural que precisa ser enfrentado com políticas de longo prazo. Enquanto o subsídio é visto como um paliativo necessário para o momento, o setor clama por investimentos em infraestrutura e logística que reduzam a vulnerabilidade do país a choques externos.

O desdobramento dessa discussão deve ocorrer nas próximas semanas, com o governo avaliando o impacto fiscal de tais medidas. A expectativa é que o diálogo entre o Ministério da Economia e as entidades do setor industrial resulte em um plano de contingência que garanta o abastecimento interno e a estabilidade dos preços para a próxima safra.